16 abril 2014

Primeiros passos da alimentação vegetariana

Na postagem Divisor de Águas, falei sobre a decisão de me tornar vegetariana. Agora quero falar um pouco sobre essa experiência, que tem sido muito interessante.


Primeiro, a repercussão. É de se esperar que muitas pessoas questionem, mas é irritante como a maioria é mal informada e preconceituosa. Sim, tem gente que acha que ser vegetariano é se alimentar puramente de verduras e legumes. E, uma boa parte, faz questão de dizer que adora churrasco e não tem "toda essa evolução espiritual" para abrir mão de ingerir carne. Vamos deixar de lado a questão espiritual (que, para mim, é uma das mais importantes), e pensemos apenas que eu tenho uma dieta diferente, nem melhor nem pior, apenas diferente. Não precisa se explicar, fica parecendo que você sente culpa. E, caso sinta, então é hora de repensar algumas escolhas. Talvez você esteja mais perto de se tornar vegetariano do que imagina.  

Na minha família a repercussão foi tranquila. Eu li muito a respeito e tinha todas as respostas às indagações dos meus pais. E eles já esperavam por isso, eu não vinha comendo carne há tempos, sempre procurava uma alternativa, e a decisão de parar de vez não os surpreendeu. Por outro lado, tive de me aventurar na cozinha, não fazia sentido pedir para minha mãe preparar meus pratos. Como nem sempre dava tempo de fazer pratos elaborados, fiquei comendo queijo assado e ovo frito (sem a gema) por várias semanas seguidas. Consequência: enjoei. O que foi excelente, pois rapidamente eliminei o ovo da minha dieta - já tem uns três meses e não sinto a menor falta. Do queijo eu ainda não enjoei, mas diminuí drasticamente. 

Eu inovei meu almoço, busquei receitas na internet e acabei conhecendo ingredientes diferentes e deliciosos. É incrível como agora eu como muito mais variedades do que antes. Já fiz algumas receitas do Canal Presunto Vegetariano e recomendo fortemente que vocês visitem. Também encontrei uma chef de cozinha que produz alimentos veganos e os vende em sua casa. Já tratei de fazer meu estoque de hambúrguer de grão de bico e lentilha, meu almoço anda muito bem, obrigada. 

Com relação ao leite, estou conseguindo tomar apenas o leite de soja. Já tem quase dois meses que não tomo leite de vaca e não está sendo tão difícil quanto imaginei. Não vou dizer que é moleza, pois às vezes acho o leite de soja muito adocicado e não curto essa característica, mas ainda preciso experimentar outros tipos de leite, sei que existem inúmeros. E na falta deles, tomo café preto ou suco, ninguém precisa ficar preso a uma única opção, não é verdade?

Desde que fiz a histerectomia total, fiquei ciente de que teria grandes riscos de desenvolver osteoporose (os ossos descalcificam mais rapidamente com a queda dos níveis de estrogênio) e passei a ingerir um complexo vitamínico todos os dias, então estou tranquila quanto a isso. É um mito pensar que o leite de vaca é a melhor fonte de cálcio que temos ao nosso dispor. Aliás, aprendi muito sobre isso vendo esse vídeo aqui: O Mito do Leite - Por que estamos sendo enganados 

Meu organismo está satisfeito com essa mudança, meu intestino funciona melhor, não me sinto tão inchada como costumava sentir e até perdi peso! =D É importante dizer que muitas pessoas apenas retiram a carne da sua dieta e não se preocupam com a perca protéica dessa atitude. É necessário substituir e equilibrar a alimentação, para depois não sair falando mal da dieta vegetariana. Quando ela é bem feita, sua saúde agradece. Vejam esse vídeo para mais esclarecimentos, ele é completíssimo: Alimentação sem carne 

Esse assunto está longe de ter sido esgotado aqui no blog, voltarei a falar sobre vegetarianismo outras vezes, me aguardem! ;)

15 abril 2014

Medo de brilhar

Ainda bem que eu nunca prometi ser assídua com o blog, porque já estamos em meados do mês de abril e eu não tinha feito nenhuma postagem em 2014. Caramba, daqui a pouco o semestre termina! O tempo está mesmo muito acelerado... 

Já aconteceu tanta coisa nesse meio tempo que uma única postagem seria pouco para dar conta. Ainda falta eu fazer a lista com as músicas mais ouvidas de 2013 e relatar um pouco da minha rotina vegetariana. Tenho boas histórias para compartilhar! Além disso, quero trazer algumas dicas de filmes e livros. Farei as publicações o quanto antes, estou com saudades de escrever. 

Por ora, gostaria que vocês lessem essa citação do querido Nelson Mandela. O texto é riquíssimo e me fez refletir bastante:


"Nosso medo mais profundo não é que sejamos inadequados. Nosso medo mais profundo é que sejamos poderosos demais. 
É nossa sabedoria, não nossa ignorância, o que mais nos apavora.
Perguntamo-nos: 'Quem sou eu para ser brilhante, belo, talentoso, fabuloso?' Na verdade, por que você não seria?
Você é um filho de Deus. Seu medo não serve ao mundo. Não há nada de iluminado em se diminuir para que outras pessoas não se sintam inseguras perto de você.
Nascemos para expressar a glória de Deus que há em nós. Ela não está em apenas alguns de nós; está em todas as pessoas.
E quando deixamos que essa luz brilhe, inconscientemente permitimos que outras pessoas façam o mesmo.
Quando nos libertamos de nosso medo, nossa presença automaticamente liberta as outras pessoas."

É assustador quando nos damos conta do nosso potencial. Por que temos tanto medo de brilhar? Ninguém quer ser medíocre, mas a maioria é. O mundo está cheio de pessoas conformadas com suas vidas mecânicas, improdutivas. Contribuição zero para a sociedade. E por quê, se somos deuses de nosso universo? Nós comandamos o nosso destino e somos responsáveis por 90% de tudo que nos acontece, no mínimo. 

Ler esse escrito do Mandela me fez lembrar das tantas vezes em que me omiti por medo de errar, por medo de ser julgada... Preciso ter em mente que o que as pessoas pensam a meu respeito não é mais importante do que aquilo que sou. E esse amontoado de medos só servem para me paralisar, pois não trazem benefício algum. Vou ler e reler essa citação várias vezes por semana. Quem sabe assim eu internalize a mensagem e consiga vencer o meu medo de crescer. Já está na hora. 

31 dezembro 2013

A melhor lição de 2013


Adoro esse clima de fim de ano. Sério, dezembro é o mês que mais amo, porque tem as férias, uma atmosfera festiva, luzes coloridas na cidade, brincadeiras de amigo secreto, e muitos sonhos para o ano que se aproxima. Na prática, é um dia após o outro e os chatos dirão que o Natal é uma invenção do capitalismo para consumirmos mais do que o normal. Mas, honestamente, só os insensíveis não conseguem perceber que acontece algo diferente nessa época do ano. 

Queria que todos os dias as pessoas pudessem desejar algo de bom para as outras, muito mais do que um bom dia. Em dezembro as pessoas desejam Feliz Natal e Feliz Ano Novo com um largo sorriso e bastante naturalidade. Parece que nos outros meses ficamos mais antissociais, ranzinzas, apressados. Até o bom dia esquecemos de desejar, muitas vezes. :|

Hoje é o último dia do ano e eu precisava registrar aqui alguns fatos que marcaram a minha caminhada em 2013: 


~Em junho conheci e comecei a frequentar o Centro Espírita João, o Evangelista (CEJE). Lá fiz amigos muito especiais, me engajei em alguns trabalhos da Casa, fiz cursos, aprendi, tive experiências memoráveis e dei um novo rumo à minha existência. Finalmente deixei de ser uma espírita na teoria e parti para a prática, e sou muitíssimo grata a todos os Espíritos encarnados e desencarnados que contribuíram para meu encontro com esse lugar tão pleno de luz e amor. Não tenho palavras para explicar o quanto cresci e mudei nesse curto espaço de tempo. Acho que nunca conheci tantas pessoas incríveis em minha vida, exemplos de humildade e benevolência que me esforço para seguir todos os dias.  

~Na busca por me encontrar, percebi que eu estava indo por uma trilha que não combinava comigo, focada no ganho salarial. Eu desejei ardentemente passar em um concurso público de altíssimo porte, cheguei inclusive a postar algo sobre isso aqui no blog. Fiz cursinho preparatório, investi rios de dinheiro em materiais e, mesmo com vários colegas enxergando um grande potencial em mim, ao longo dos meses eu fui perdendo a motivação e o interesse pela carreira pública. Ainda procurei outros concursos, li editais de áreas diversas, me inscrevi, fiz provas, mas ainda assim, o ânimo já não existia. Foi então que resolvi buscar a resposta dentro do meu Eu interior e ouvir o que Deus estava falando. Eu já sabia a resposta, só bastava ir adiante. Então, decidi, vou mudar de profissão, não vou pensar em concursos tão cedo, quero dedicar meu tempo a fazer o que eu já faço: ouvir as pessoas. Yes, that's it! Irei falar um pouco mais sobre isso em postagens posteriores. ;)

~Aprendi que uma amizade vale mais do que um ponto de vista e que eu preciso dizer mais vezes que não sou a dona da verdade. Eu sei disso, mas talvez alguns duvidem que eu saiba. Então, é válido enfatizar: não acho que sou melhor que ninguém por ser espírita, e desconfio daquele que disser o contrário. Apenas as ações podem falar sobre a conduta de alguém, jamais suas crenças. E digo mais: somente amizades verdadeiras resistem aos abalos da discordância, bem como são esses abalos que acabam por fortalecer os laços.     

~Não lembro se já falei aqui sobre minha dificuldade em demonstrar afeto. Eu tenho muito amor dentro de mim, mas nem sempre consigo deixar isso claro - o que é bem frustrante. Neste ano, porém, algo mudou. E foi na véspera de Natal que eu percebi que já tinha mudado, apenas não tinha me dado conta. Estava eu e mais uma centena de pessoas no centro da cidade, cantando músicas e vibrando positivamente. Era a 34ª edição da Caravana do Natal e nosso intuito era distribuir alimentos, roupas, brinquedos, calçados e mensagens natalinas para os moradores de rua. Eu cheguei bem cedo, com alguns amigos, e aos poucos outros conhecidos foram chegando. A cada rostinho familiar que eu encontrava, corria para abraçar. Abracei inúmeras pessoas ali - com vontade, com verdade. E foi então que ouvi algo que fez meu coração transbordar de alegria: Mara, como seu abraço é bom! Outros disseram a mesma coisa e isso me fez um bem indescritível. Logo eu, que sempre abracei com receio, que nunca queria incomodar, estava recebendo o prêmio de melhor abraço. :') Nada poderia me deixar mais feliz!


2013 foi um ano que me trouxe grandes ensinamentos, mas o que guardo com mais carinho são as pessoas que apareceram e certamente irão permanecer. Finalmente eu sinto que minha vida está no ritmo que deveria estar. Tenho mais serenidade, paciência, bom humor e sonhos, muitos novos sonhos!

Se você, querido leitor, estivesse aqui pertinho, ganharia um abraço apertado e um sincero voto de que, em 2014, sua vida seja, no mínimo, fabulosa!


06 novembro 2013

Divisor de águas

Há pouco tempo tomei a decisão de me tornar ovo-lacto-vegetariana, ou seja, não faço mais a ingestão de carnes mas ainda me alimento de ovos, leite e seus derivados. Não serei radical de me tornar vegana de um dia para o outro, tudo que é muito radical tende a não durar. Bebo leite quase todos os dias, virou um hábito bem firme na minha rotina alimentar, mas vou mudar isso e encontrar alternativas. Muitas pessoas intolerantes à lactose só ingerem o leite de soja e sobrevivem numa boa, porque eu não poderia? Tudo é uma questão de força de vontade! =)

Quando tava na faculdade, assisti a dois documentários: Terráqueos e A Carne é Fraca. Fiquei muito chocada na época, nem aguentei ver até o final, mas não consegui parar de consumir carne porque ainda era muito nova e não tinha forças para argumentar com meus pais, que se recusaram a me dar ouvidos. Eles diziam que nenhum ser humano pode viver sem carne. Será? Eu vivia tão cheia de coisas pra fazer que não lutei por esse ideal, depois adoeci e esse assunto foi deixado para o futuro.

Após me confrontar com um texto, enviado por um amigo (Obrigada, Gabriel!), resolvi não mais adiar o que para mim seria inevitável. Não quero mais ter um cadáver em meu prato. 

Esse mesmo amigo me mandou um vídeo chamado A Engrenagem (esse é curto, recomendo fortemente, não tem imagens impactantes e traz grandes verdades que você precisa saber), idealizado pelo Instituto Nina Rosa. Esse vídeo só reforçou minha decisão. O futuro chegou.

Já estou buscando receitas e lendo sites veganos, estou descobrindo um universo inteiro sobre o assunto! Com o decorrer dos meses, voltarei a falar sobre meus avanços, quero incentivar quem já se compadece de nossos irmãozinhos de jornada, pois tenho certeza que muitas pessoas sentem compaixão pelos animais e só não se tornaram vegetarianas por falta de apoio ou esclarecimento. 

Quem não puder ler o texto que foi o grande divisor de águas em minha escolha, vou colar abaixo alguns trechos para reflexão (com adaptações) :

Como poderíeis supor que o Deus de infinita misericórdia sancionasse a crueldade e a destruição injustificada de seus filhos menores, enclausurados temporariamente em estojos físicos de principiantes, como as criancinhas do jardim da infância do grande educandário dos mundos de matéria? Seríeis capazes de trucidar crianças pequeninas para atender a um prazer de matar, somente porque não podem defender-se? Pois o mesmo espanto e horror que essa ideia vos causa tomam os espíritos superiores quando estes assistem à carnificina diária que se comete na superfície do planeta para com os irmãos menores do homem – os animais. Olhai o fundo de seus olhos mansos, sem a arrogância dos fortes e a indiferença dos egoístas, e vereis ali cintilando o reflexo de uma alma divina, filha do Criador que também é o Criador da vossa; lereis o apelo silencioso dessas vidas que tateiam nos labirintos da consciência como criancinhas aprendendo a andar, a vos dizer: “Deixa-me viver para aprender a ser um dia como tu, que já foste outrora como eu”.
Inúteis serão os vossos apelos de paz, enquanto os cadáveres sangrentos de vossos irmãos menores quotidianamente atestarem que sois os mandantes da mais sanguinária das guerras, e a mais cruel, porque deflagrada contra indefesos sem o socorro da razão, por motivos fúteis, e tão somente em nome de um discutível prazer do paladar. 
Informai-vos bem para vos conscientizar de que a manutenção dos rebanhos para o consumo humano, além do espetáculo da crueldade e da indústria da doença que representam, são os patrocinadores da fome de milhões, da devastação e do desequilíbrio da natureza planetária. Ser um consumidor dos irmãos menores carreia ainda consigo a condição de depredador do planeta e conivente com a fome do mundo. 
O hábito, o prazer e a fraqueza são as justificativas que sempre nos oferecemos ante a dificuldade de mudar para melhor. Elas não nos livram de sofrer as conseqüências do pior que cultivamos.
O sangue derramado das espécies animais, em proporção sempre crescente, está transformando o planeta num gigantesco matadouro ambulante, que orbita no sistema fazendo ecoar os gritos de dor dos milhões de seres sacrificados diariamente à gula e à ganância humana. 
Espíritas: o conhecimento acentua a responsabilidade. 

Enquanto eu lia esse texto, lágrimas me vieram aos olhos e uma luz se acendeu em meu pensamento. Não tem porquê continuar me alimentando de algo que já não me fazia bem, e ainda compactuar com toda uma engrenagem maléfica que perpetua a ganância humana e a crueldade com nossos bichinhos tão queridos. Estou feliz por ter dado esse passo. 

OBSERVAÇÃO:
Quero deixar claro que não me tornei vegetariana para julgar quem ainda não consegue se desfazer da carne em sua alimentação. Não tenho esse direito e não acho que sou melhor que ninguém. Minha família inteira é adoradora de churrasco e não vou falar mal deles, mas apenas seguir com a minha opção, respeitando e desejando ser respeitada. Agradeço a compreensão. =)